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Faturiza
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9 min de leitura

Checklist de Fecho Mensal para Contabilistas em Portugal

Um checklist cronológico do fecho mensal completo para contabilistas portugueses — da recolha de faturas no dia 1 até à submissão da IVA e SAF-T, com cada obrigação mapeada ao dia certo.

Dia 14 do mês. Queria ter três clientes fechados até agora. Em vez disso, dois ainda não enviaram todas as faturas, um tem uma conciliação de IVA que não bate certo, e nem sequer olhou ainda para as retenções de IRS. Faltam seis dias para o SAF-T e cinco para a Segurança Social.

Se isto lhe soa familiar, o problema não é que está atrasado. O problema é que não há um calendário acordado para o que tem de ser feito e quando — por isso cada obrigação parece sempre uma surpresa.

O fecho mensal de um gabinete de contabilidade em Portugal tem cerca de vinte tarefas distintas espalhadas por três semanas. Não precisam todas de acontecer no fim do mês. A maioria funciona melhor se não acontecer — e o guia SAF-T Portugal cobre a mecânica de submissão que serve de âncora a toda a cronologia.

Aqui fica o checklist completo, organizado pelos dias em que cada tarefa realmente pertence.

O que é, afinal, "fechar o mês"

Para um contabilista certificado em Portugal, um fecho mensal completo de um cliente PME cobre, no mínimo:

  • Recolha de todas as faturas de fornecedores do mês anterior
  • Conciliação das faturas de venda emitidas pelo software de faturação do cliente
  • Conciliação bancária
  • Processamento de salários e declarações para a Segurança Social
  • Retenções de IRS (guia de retenções na fonte)
  • IVA periódica (mensal ou trimestral, consoante o regime)
  • Submissão do SAF-T de faturação
  • Lançamentos contabilísticos, amortizações, especializações
  • Relatório ou snapshot de gestão para o cliente

Cada uma tem o seu prazo. Os legais não mexem. Tratar tudo isto como "fechar o mês até ao dia 20" é o que cria a corrida — porque a corrida são, na verdade, quatro ou cinco prazos empilhados na mesma semana.

O checklist abaixo mapeia cada tarefa a uma janela concreta de dias. Adapte as datas específicas ao seu gabinete, mas mantenha a ordem.

Dias 1–3: preparar o mês para ele se fechar sozinho

1. Confirmar que clientes fecham este mês e em que regime

Antes de tocar numa única fatura, volte às bases de cada cliente:

  • Regime de IVA (mensal vs trimestral) — um cliente que passou de trimestral para mensal não avisa por iniciativa própria
  • Número de funcionários (alguém saiu, alguém entrou)
  • Qualquer CAE novo, nova sucursal, nova atividade que mude o plano de contas
  • Fornecedores recorrentes novos que devem entrar no seu checklist mental

Cinco minutos por cliente. Evita a surpresa de 90 minutos no dia 15.

2. Enviar a mensagem de checklist mensal a cada cliente

Não "envie-me as faturas". Um checklist estruturado, listando os fornecedores recorrentes do cliente, para que ele sinalize o que falta em vez de ser o contabilista a adivinhar:

  • EDP / Galp (eletricidade, gás)
  • Vodafone / NOS / MEO (telecomunicações)
  • Renda (senhorio)
  • Segurança Social
  • Seguros
  • Itens recorrentes específicos do cliente

A maioria dos clientes responde a um checklist. Não responde a um "mande-me tudo".

3. Abrir o painel de estado

Uma folha simples, uma linha por cliente, com colunas para: faturas recebidas, faturas esperadas, banco conciliado, salários feitos, SAF-T gerado, SAF-T submetido, IVA submetida, retenções submetidas, SS submetida. Se já tem isto, atualize. Se não tem, construa. Gerir mais de quatro clientes de cabeça é como os erros entram.

Processe faturas em minutos, não horas

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Dias 4–10: entrada e processamento contínuo

4. Receber e processar faturas à medida que chegam

Se tem um fluxo com pasta partilhada com os clientes (o problema do handoff cliente-contabilista), as faturas devem estar a chegar desde o dia 1. A sua função nos dias 4–10 é processá-las continuamente — não acumulá-las para uma maratona no dia 15.

Extrair os dados, validar o NIF, lançar, mover o ficheiro de Entregue/ para Processado/. Tudo o que for ambíguo vai para Dúvidas/ com um comentário.

5. Cruzar com o e-fatura para apanhar o que o cliente esqueceu

No dia 8, puxe a lista do e-fatura de cada cliente do Portal das Finanças. Compare com o que realmente tem na pasta partilhada. A diferença costuma ser:

  • Downloads de portais de fornecedores que o cliente não foi buscar (EDP, Vodafone, MEO fazem todos isto)
  • Recibos em papel que o cliente ainda não digitalizou
  • Faturas antigas comunicadas tardiamente à AT

Peça-as especificamente. "Faltam estas três faturas do portal da Vodafone" resolve. "Faltam faturas" não.

6. Primeira passagem de conciliação bancária

Não a final. Uma passagem preliminar para ver o que está a mexer. Pagamentos sem fatura no arquivo, faturas pagas a dobrar, transferências cujos valores não batem certo — tudo mais fácil de resolver no dia 9 do que no dia 18.

7. Processar alterações salariais e inputs de processamento

Qualquer alteração de headcount, horas, prémios, indemnizações de cessação ou subsídios deve estar capturada até ao dia 10. O processamento salarial tem dois prazos legais a apertar mais para o fim do mês; não quer estar a reconfirmar uma taxa de subsídio de alimentação no dia 18.

Dias 10–15: os prazos legais começam a cair

8. Submeter guia de retenções na fonte de IRS

As retenções na fonte de IRS são entregues até ao dia 20 do mês seguinte. Prepare e submeta a guia entre os dias 10 e 12. Cobre IRS sobre salários, prestadores de serviços em recibo verde retido, rendas de Categoria F que esteja a gerir, e outras retenções aplicáveis.

Verifique as taxas. Para trabalhadores independentes a prestar serviços, a retenção standard é 25% (ou 11,5% para certos regimes de baixo rendimento) — não aplique a taxa errada só porque foi essa que usou o mês passado.

9. Submeter contribuições para a Segurança Social

As contribuições de SS do mês anterior são entregues até ao dia 20 via Segurança Social Direta. Gere a DMR (Declaração Mensal de Remunerações), cruze-a com o processamento salarial do passo 7, e submeta.

O erro típico: gerar a DMR a partir de software de processamento que não foi atualizado com uma alteração a meio do mês — uma saída, uma entrada, um ajuste salarial. A DMR é o que a SS vai auditar mais tarde. Acertar agora.

10. Fechar a faturação de vendas no software do cliente

Para cada cliente que emite faturas através de software certificado (Moloni, Primavera, InvoiceXpress, Toconline, etc.), extraia o SAF-T de faturação mensal do sistema. Confirme:

  • Integridade da sequência — sem saltos na numeração
  • Notas de crédito corretamente aplicadas
  • Taxas de IVA consistentes com a classificação do produto/serviço
  • Todas as faturas dentro do mês correto (sem faturas de dezembro a cair em janeiro)

É este o ficheiro que vai precisar no passo 14. Faça agora, com calma, não no dia 19 sob pressão.

Dias 15–18: conciliar e validar

11. Conciliação bancária final

Cada conta, cada cliente. É neste ponto que qualquer despesa não registada aparece — débitos diretos sem fatura, comissões bancárias, juros, estornos. Lance tudo.

A conciliação bancária é também o teste de honestidade sobre se a recolha de faturas ficou completa. Se saíram €2.340 da conta sem fatura correspondente no arquivo, alguma coisa falta.

12. Lançar amortizações, especializações e ajustes de fecho

O que não nasce de faturas: amortizações, especializações, acréscimos para despesas conhecidas ainda não faturadas, provisões. São estes lançamentos que ficam para trás quando se está com pressa e voltam a aparecer como pesadelos no fecho de ano.

Dez minutos por cliente, feitos agora.

13. Sanity check do IVA antes da submissão

Antes de se comprometer com o SAF-T final e com a IVA periódica, faça uma reconciliação entre:

  • IVA dedutível das faturas de compras
  • IVA liquidado das faturas de vendas
  • Os ficheiros SAF-T (faturação e contabilidade, quando aplicável)
  • O que o balancete do cliente diz sobre IVA a pagar / a recuperar

Se os números não baterem, corrija agora. Uma discrepância na IVA periódica submetida no dia 19 continua a ser uma discrepância — só que agora visível à AT.

Dias 18–20: a janela de submissão

14. Gerar e submeter o SAF-T

O SAF-T de faturação das faturas emitidas é devido até ao dia 5 do mês seguinte ao período de emissão, mas a maior parte dos gabinetes submete agora mensalmente, em calendário apertado. Se já seguiu o workflow de automatização do SAF-T, este passo é validar e submeter, não construir o ficheiro.

Valide primeiro. NIFs incorretos, números de fatura duplicados, saltos na sequência — tudo melhor apanhado aqui do que depois da AT cruzar os dados. Para contexto sobre o que a AT realmente verifica, veja o guia de sobrevivência do SAF-T.

15. Submeter a IVA periódica

Para clientes em regime mensal, a IVA é devida até ao dia 20. Para o trimestral, até ao dia 20 do segundo mês após o fim do trimestre. Submeta via Portal das Finanças. Cruze o valor a pagar ou a recuperar contra o lançamento feito no passo 13 — se discordarem, um dos dois está errado.

16. Confirmar que SS e IRS dos dias 8–9 foram aceites

Não assuma. Entre, confirme que a guia foi aceite, confirme que a submissão da SS está em estado entregue. Cinco minutos. Evita uma chamada em fevereiro sobre uma entrega de janeiro que falhou em silêncio.

Dias 20–25: fechar e fazer o handoff

17. Fechar o período na contabilidade

Bloquear o mês. Alguns sistemas suportam isto formalmente; outros exigem convenção interna. De uma forma ou de outra, o mês deve ficar não-editável a partir daqui, exceto com reabertura formal. Caso contrário, descobre no dia 40 que um júnior lançou três movimentos no "mês passado" para encostar qualquer coisa.

18. Produzir o snapshot para o cliente

Uma página por cliente: receita, despesa, posição de IVA, posição de tesouraria, qualquer alerta. É isto que separa o contabilista que o cliente vê como parceiro estratégico do que ele vê como serviço de submissão. Não precisa de ser sofisticado — um resumo limpo num email chega.

19. Anotar problemas para o próximo mês, antes de esquecer

Se um cliente teve três NIFs errados este mês, anote. Se um fornecedor apresentou saltos na numeração dois meses seguidos, anote. Se um cliente continua a esquecer-se do portal da Vodafone, anote.

Mantenha um registo corrente de problemas por cliente. No início do mês seguinte (dia 1 do passo 1), lê esta lista e já sabe onde tem de empurrar.

20. Atualizar o calendário do gabinete

Algum prazo ficou apertado este mês? Apareceu alguma obrigação tarde? Tudo o que o surpreendeu vai para o calendário do gabinete agora, para não surpreender mais ninguém no próximo mês.

O que fazer de diferente

Os contabilistas que raramente sentem a pressão de fim de mês não são os que trabalham mais horas. São aqueles cujo fecho está distribuído por três semanas em vez de três dias. As faturas são processadas continuamente. A validação acontece a meio do mês. As submissões legais entram cedo quando os dados estão prontos. O dia 20 é um dia de check-in, não de crise.

Não se lá chega trabalhando mais no dia 18. Chega-se tornando os dias 3 e 8 produtivos para que o dia 18 seja chato.

Comece por um cliente. Corra este checklist no próximo fecho dele. Se o dia 18 ficar mais calmo, aplique ao resto.

Se quer a parte mecânica — extração de faturas, validação de NIF, geração de SAF-T, acompanhamento de estado — tratada para poder focar-se nos passos que exigem mesmo critério, veja o que construímos para contabilistas.

Para contabilistas

Faz este fluxo para vários clientes?

O Faturiza tem um painel multi-cliente feito para contabilistas. Cada cliente tem a sua pasta, email de receção e exportação pronta para SAF-T.

M

Manuel Monteiro

Founder, Faturiza · LinkedIn

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