O contrato foi assinado. O cliente está entusiasmado. Você já está a pensar nos próximos três clientes em carteira.
E chega o dia 12 e percebe que não tem metade do que precisa para fechar o primeiro mês. O NIF que o contabilista anterior ficou de mandar nunca chegou. Continua à espera de acesso a um portal de fornecedor. Três faturas recorrentes foram parar ao email pessoal do cliente porque ninguém lhe disse para onde reencaminhar. Passa duas horas de sábado a reconstruir um mês que devia ter sido rotina.
Os primeiros 30 dias com um novo cliente PME são o momento mais calmo que alguma vez vai ter para pôr a relação a funcionar como deve ser. Se deixar passar a janela, herda o caos durante os próximos cinco anos.
O Que São, de Facto, os Primeiros 30 Dias
Onboarding não é "recolher documentos e adicionar o cliente ao sistema de faturação". Isso é administrativo. Onboarding é o processo de instalar — nos hábitos, caixas de entrada, pastas e calendário do cliente — o fluxo que lhe permite fechar o mês em duas horas em vez de dois dias. O nosso guia completo de automatização de faturas cobre o lado das ferramentas desse fluxo em detalhe.
A atenção total do cliente só a tem uma vez. Ele está motivado agora porque acabou de mudar de contabilista, porque acabou de abrir a empresa, ou porque acabou de se queimar com quem fazia isto antes. Daqui a seis semanas vai estar de cabeça metida no negócio e deixa de responder a WhatsApps em menos de 24 horas. Aproveite a atenção enquanto a tem.
Três objetivos para os primeiros 30 dias, por ordem:
- Visibilidade total. Sabe por que canais chegam as faturas, que portais de fornecedor existem, que débitos recorrentes há.
- Um único ponto de entrega. O cliente tem exatamente um sítio onde coloca faturas novas. Não três. Um.
- Um fecho a funcionar para o primeiro mês. Ao dia 30, fechou um mês completo no novo sistema e sabe onde falhou.
Se acertar nestes três, o resto é limpeza.
Semana 1 (Dias 1–7): Descoberta
A tentação na primeira semana é enviar ao cliente um pedido de documentos quilométrico e esperar. Não o faça. O cliente vai mandar 60% do que está na lista e você passa a semana dois a correr atrás do resto. Trate a semana um como uma entrevista de descoberta — o negócio dele, tal como realmente funciona — e não como uma receção documental.
Dia 1–2: A verdadeira reunião de arranque
Marque 60 minutos. Não 30. Não assíncrono. Por vídeo, com partilha de ecrã do lado dele.
Peça-lhe para lhe mostrar, ao vivo:
- A caixa de email onde chegam as faturas. Descer até aos últimos 30 dias.
- Todos os portais de fornecedor em que faz login — EDP, Vodafone, NOS, portal do senhorio, o que mais houver.
- Onde é que as faturas em papel vão parar. A caixa de sapatos, a gaveta, a secretária da assistente.
- O extrato bancário do mês passado, linha a linha. Cada débito que você não consegue identificar é um fornecedor escondido.
Vai descobrir três a cinco canais de faturação que ele se esqueceu de mencionar na fase da proposta. É normal. Anote tudo.
Dia 3–5: Recolha de documentos, mas com limite
Agora envie o pedido de documentos — mas só o que precisa para começar. NIF, regime fiscal, certidão permanente, segurança social, handoff do contabilista anterior (SAF-T dos últimos 12 meses, se possível), autorização bancária para débitos, sub-utilizador no Portal das Finanças.
Não peça três anos de faturas no dia três. Não precisa delas ainda, e pedir tudo de uma vez é como o cliente decide que o onboarding é "demasiado" e desaparece.
Dia 6–7: Handoff do contabilista anterior
É aqui que a maioria dos onboardings azeda em silêncio. O contabilista anterior está tecnicamente obrigado a entregar os registos, mas "obrigado" e "atempado" são palavras diferentes. Envie um pedido formal escrito, com prazo. Em CC o cliente. Peça especificamente:
- SAF-T-PT dos últimos 12 meses
- Plano de contas tal como está a ser usado
- Reconciliações em aberto ou saldos transitados
- Lista de fornecedores e clientes com NIFs já validados
Se não tiver os SAF-T até ao dia 10, escale. Esperar até ao dia 25 para descobrir que o contabilista anterior não responde é o caminho mais rápido para fechar o primeiro mês às cegas.
Processe faturas em minutos, não horas
O Faturiza funciona com o Google Drive e Sheets que já usa.
Semana 2 (Dias 8–14): Configuração
A esta altura já sabe como é o mês do cliente. A semana dois é para construir a infraestrutura antes de começar a processar faturas a sério.
Dia 8–10: A pasta partilhada e a regra única
Crie a estrutura de pastas. Uma simples funciona bem:
NomeCliente/
├── Entregue/ (o cliente larga aqui as faturas)
├── Processado/ (depois de lançadas)
├── Dúvidas/ (coisas para perguntar)
└── Referência/ (contratos, certidão, plano de contas)
Partilhe Entregue com o cliente. Partilhe as restantes só de leitura ou mantenha-as internas. Depois tenha a conversa que conta: cada fatura, até 24 horas depois de chegar, vai para Entregue. Não email. Não WhatsApp. Não "mando tudo no fim do mês." Um sítio, uma regra.
Se o cliente não conseguir comprometer-se com este único hábito na semana dois, o resto do ano vai ser você a correr atrás. Seja direto agora — é mais fácil recalibrar expectativas ao dia 10 do que ao dia 210.
Dia 11–12: Reencaminhamento de email e portais
Para os canais que o cliente não consegue mudar de um dia para o outro, faça a ponte:
- Faturas por email: regra de reencaminhamento da caixa principal para um alias dedicado (por exemplo,
[email protected]) que aterra na pasta partilhada via conector, ou numa caixa de processamento que você monitoriza. - Portais de fornecedor: liste todos, atribua responsável (normalmente o cliente), e ponha um lembrete recorrente no calendário para dia 3 de cada mês para descarregar os PDFs do mês anterior para
Entregue. - Faturas em papel: câmara do telemóvel, upload direto. Diga-lhe que desfocado serve — prefere uma fatura fotografada a 5 do mês do que um scan perfeito a 30.
Dia 13–14: Tracking e expectativas
Monte uma folha visível de acompanhamento — Google Sheets chega — com colunas para data, fornecedor, estado (Entregue / Processado / Em falta) e notas. O cliente vê. Você vê. Quando algo está Em falta, ambos sabem sem precisar de WhatsApp.
E deixe as expectativas por escrito: o que precisa até quando, o que é responsabilidade do cliente, o que é sua, e como é o ritmo mensal (por exemplo: "processo às terças e quintas; o mês fecha dia 8"). Envie por email. Ele não vai ler tudo, mas você vai precisar disso no quarto mês, quando algo falhar.
Semana 3 (Dias 15–21): Primeiro ciclo de processamento
Esta é a semana em que começa a trabalhar faturas a sério. Não tente recuperar três meses anteriores agora — feche o mês corrente primeiro, volte atrás depois.
Dia 15–17: Plano de contas e mapeamento de fornecedores recorrentes
Pegue nos fornecedores vindos do contabilista anterior (se recebeu) e do extrato bancário. Para cada fornecedor recorrente:
- Confirme o NIF (valide-o — um dígito trocado gera dores de cabeça no SAF-T durante anos).
- Mapeie para a conta certa do plano de contas.
- Marque a taxa de IVA típica. Portugal tem três taxas mais isenções, e os fornecedores classificam-se a si próprios de forma inconsistente.
Leva algumas horas agora e poupa um múltiplo disso em cada mês seguinte. É no registo manual de fornecedores em cima do lançamento que nascem a maioria dos desalinhamentos de SAF-T — veja o nosso guia de sobrevivência ao SAF-T para o que a AT realmente verifica.
Dia 18–21: Processe o mês corrente
Processe agora as faturas do primeiro mês dentro do novo fluxo. Duas coisas para observar:
- De onde vieram as faturas? Se 20% chegaram por um canal que não é a pasta partilhada, o fluxo ainda não está a funcionar. Fale com o cliente antes da semana quatro, não ao terceiro mês.
- O que está em falta? Cruze com o e-fatura e o extrato bancário. Se o banco mostra um débito direto de um fornecedor cuja fatura nunca apareceu, é agora que se tem essa conversa — enquanto o cliente ainda se lembra do que foi aquela cobrança de 147 euros.
Semana 4 (Dias 22–30): Fecho e retrospetiva
O primeiro fecho com um sistema novo tem sempre surpresas. O objetivo da semana quatro não é um fecho perfeito — é um fecho diagnosticado.
Dia 22–26: Fechar o mês
Reconciliar, validar, submeter SAF-T. Vá tomando notas do que doeu: que fornecedores chegaram atrasados, que portais ninguém se lembrou de visitar, que faturas tinham NIFs trocados. Se gere SAF-T de vários clientes, o nosso walkthrough de automação mensal de SAF-T mostra onde meter automação sem perder o controlo.
Dia 27–28: Retrospetiva com o cliente
Marque uma call de 30 minutos. Não um resumo por email — uma call. Três tópicos:
- O que funcionou. Diga-lhe em concreto que faturas chegaram a tempo e porquê isso ajudou.
- O que falhou. Seja concreto: "Três faturas da EDP chegaram a 28. No próximo mês preciso delas até 10." Sem culpar, só a lacuna.
- O que muda para o mês dois. Normalmente um ou dois hábitos, não um redesenho. Escolha a mudança mais pequena que fecha a lacuna maior.
Os clientes respeitam contabilistas que diagnosticam. Desligam-se dos que só se queixam por WhatsApp.
Dia 29–30: Retrospetiva interna
Você também precisa de uma retrospetiva consigo — ou com a equipa, se tem uma. Documente, para uso interno:
- Canais e portais deste cliente
- Fornecedores recorrentes e respetivas categorias de IVA
- Armadilhas conhecidas (o que chega sempre atrasado, o do NIF esquisito, o que o cliente se esquece)
- Tempo estimado de processamento mensal no novo fluxo
Isto passa a ser o seu template de onboarding para o cliente dois, três e dez. Cada nova PME que recebe reutiliza 80% deste trabalho.
O Que Fazer de Forma Diferente
A maioria dos onboardings falha pela mesma razão: a semana um é sobre papelada e a conversa a sério sobre fluxo só acontece ao terceiro mês, quando toda a gente já está frustrada. Inverta. Use a semana um para descobrir, a semana dois para montar o fluxo, a semana três para o correr, e a semana quatro para diagnosticar. A papelada encaixa à volta disso, não o contrário.
E aceite que o primeiro mês não vai ser limpo. Não é suposto ser. É suposto dizer-lhe — e ao cliente — o que tem de mudar antes do mês dois.
Se o seu manual de onboarding é sobretudo "enviar lista de documentos e esperar", uma abordagem centrada no fluxo fecha os meses mais depressa e evita que os clientes desapareçam ao terceiro mês. O Faturiza foi construído para contabilistas que correm este manual em várias PMEs ao mesmo tempo — uma pasta partilhada por cliente, extração automática de dados, exportação pronta para SAF-T. Gratuito durante o beta, pensado para entrar no fluxo acima em vez de o substituir.
Para contabilistas
Faz este fluxo para vários clientes?
O Faturiza tem um painel multi-cliente feito para contabilistas. Cada cliente tem a sua pasta, email de receção e exportação pronta para SAF-T.
Manuel Monteiro
Founder, Faturiza · LinkedIn
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