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Faturiza
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6 min de leitura

Como Cruzar o e-Fatura com a Contabilidade do Cliente sem Perder a Cabeça

Um workflow mensal para contabilistas cruzarem o e-Fatura com os registos do cliente — de onde vêm as diferenças, quais importam, e como fechar o ciclo em menos de uma hora.

É dia 9 do mês. Acabou de fechar o processamento de faturas de um cliente e, por impulso, abre o portal e-Fatura para confirmar. Aparecem-lhe seis faturas que não estão na contabilidade. Duas reconhece de imediato — o cliente esqueceu-se de as encaminhar. As outras quatro nunca as viu. Uma é de um fornecedor que o cliente jurou ter deixado de usar em Janeiro.

Agora tem de decidir. Inclui? Pergunta ao cliente? Submete sem elas e corrige depois? É dia 9. O prazo da SAF-T é dia 12.

Este é o problema da reconciliação. Todos os contabilistas em Portugal lidam com ele, e a maioria lida mal — não por falta de competência, mas porque o processo é improvisado todos os meses. O guia SAF-T Portugal cobre a mecânica de submissão que torna esta reconciliação necessária.

O que o e-Fatura lhe diz na prática

O portal e-Fatura, operado pela AT, mostra duas coisas que interessam ao contabilista:

Faturas comunicadas por fornecedores em que o NIF do seu cliente aparece como adquirente. Qualquer fornecedor português com contabilidade organizada é obrigado a comunicar as faturas que emite. Se emitiu uma fatura ao seu cliente, a AT sabe — normalmente em poucos dias.

Faturas emitidas pelo seu cliente (se ele é fornecedor em alguma transação). Mesmo mecanismo, ao contrário.

O que o e-Fatura não lhe diz:

  • Se o cliente recebeu efectivamente a fatura
  • Se é uma despesa legítima do negócio ou pessoal
  • Se já foi lançada com um NIF ligeiramente diferente ou numa data diferente
  • Se o fornecedor comunicou com erros

Portanto, o objectivo da reconciliação não é "fazer a minha contabilidade bater com o e-Fatura". Isso é ingénuo. O objectivo é: para cada documento que a AT conhece, eu sei se pertence à contabilidade deste cliente e porquê.

De onde vêm as diferenças

Antes de percorrer o workflow, ajuda saber o que está a olhar. Na nossa experiência, as diferenças na reconciliação caem em cinco categorias:

  1. O cliente esqueceu-se de encaminhar. A mais comum. A fatura existe, o cliente tem-na, simplesmente não a enviou.
  2. O fornecedor comunicou com NIF errado. Um fornecedor faturou ao gerente em nome pessoal em vez da empresa (ou o contrário). Aparece no e-Fatura no contribuinte errado.
  3. Desfasamento temporal. A fatura foi emitida no fim do mês, o cliente recebeu-a no mês seguinte, e é legitimamente um documento do período seguinte. Aparece agora no e-Fatura; aparecerá depois na contabilidade.
  4. Já lançada com outra referência. Duplicados disfarçados — mesma fatura, ficheiro com nome diferente, data introduzida diferente.
  5. Não é uma despesa. Compras pessoais em que o cliente deu o NIF por hábito. Não devem ser lançadas, mas estão no e-Fatura.

Cada categoria exige resposta diferente. Tratar tudo da mesma forma é onde a tarde desaparece.

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O workflow mensal

1. Puxe o e-Fatura antes de achar que terminou

Contraintuitivo mas importante: não reconcilie no fim. Reconcilie antes de fechar o mês. Se tratar o e-Fatura como auditoria final, vai continuar a encontrar surpresas a dia 11 — precisamente quando não quer surpresas.

A nossa recomendação: puxe os dados do e-Fatura entre o dia 5 e o 7 do mês, quando a maioria das faturas do mês anterior já devia ter sido emitida. O que chegar depois disso caça-se activamente em vez de descobrir por acidente.

Pode extrair os dados manualmente pelo portal em CSV, ou — para clientes com acesso autorizado — pela API do e-Fatura se a sua ferramenta o permitir.

2. Cruze por NIF + número + data, não por valor

Cruzamento por valor é onde a maioria das ferramentas se engana. Duas faturas do mesmo fornecedor por 120€ em datas próximas vão parecer iguais mesmo sendo documentos distintos.

Cruze por esta ordem:

  • NIF do emissor (correspondência exacta)
  • Número da fatura (correspondência exacta; atenção a prefixos como FT, FS, códigos de série)
  • Data de emissão (tolerância de ±3 dias para folgas de introdução de dados)
  • Valor (só para desempatar, não para identificar)

No fim deste cruzamento quer duas listas: "em ambos" e "só no e-Fatura". A lista "só na contabilidade" também existe mas é menos urgente — são faturas que o fornecedor ainda não comunicou, problema dele, não seu.

3. Triagem da lista "só no e-Fatura"

É aqui que entram as cinco categorias. Para cada fatura não cruzada no e-Fatura:

  • Fornecedor habitual reconhecível? (EDP, Vodafone, renda, seguros, Segurança Social). Quase de certeza categoria 1 (cliente esqueceu-se). Junte à lista de "por favor encaminhe".
  • Fornecedor que o cliente não reconhece? Pode ser categoria 2 (NIF trocado) ou categoria 5 (pessoal). Pergunte ao cliente directamente com captura de ecrã.
  • Data de emissão na última semana do mês? Provavelmente categoria 3 (timing). Marque para o mês seguinte.
  • Valor próximo de algo já lançado? Verifique categoria 4 (duplicado). Procure o mesmo fornecedor com outro nome de ficheiro ou referência ligeiramente diferente.

A disciplina chave: uma ronda de perguntas ao cliente, não três. Junte tudo o que precisa de confirmação numa só mensagem. Três emails separados do tipo "pode confirmar isto?" recebem duas respostas e a terceira fica esquecida.

4. Envie ao cliente uma confirmação estruturada, não uma pergunta

Em vez de "faltam-me algumas faturas, pode verificar?", envie algo assim:

Segundo o e-Fatura, foram emitidas as seguintes faturas à [empresa] em Março que ainda não recebi. Pode confirmar em que categoria cai cada uma?

  1. EDP — 87,34€ — 14/03 — Presumo que existe, por favor encaminhe
  2. [Fornecedor desconhecido] — 245€ — 22/03 — Reconhece este fornecedor? Se for pessoal, diga-me e ignoro.
  3. Restaurante X — 45€ — 30/03 — Despesa de empresa ou pessoal?

Uma lista estruturada recebe resposta. Uma pergunta aberta não.

5. Documente o que ignorou, e porquê

Para cada linha do e-Fatura que decidiu não lançar, deixe uma nota curta. "Compra pessoal — confirmado pelo cliente 08/04." "Período seguinte — lançado em Abril." Leva dez segundos por linha e poupa um futuro-você de reabrir a mesma questão.

Se a AT perguntar "porque é que a contabilidade deste cliente não inclui esta fatura que foi comunicada?", quer ter a resposta pronta. Normalmente não perguntam. Mas quando perguntam, "não me lembro" é a pior resposta possível.

6. Siga os padrões por cliente

Ao fim de três ou quatro meses, emergem padrões por cliente. Este cliente esquece-se sempre da EDP. Aquele tem um cônjuge que usa o NIF da empresa em restaurantes. Outro tem um fornecedor que comunica sempre com atraso.

Escreva os padrões num sítio onde os leia — uma nota no dossier do cliente, uma linha no CRM, o que funcionar para si. No mês seguinte, ao reconciliar, verifique primeiro o padrão conhecido. Cinco minutos poupados por cliente por mês dá uma hora por semana numa pequena prática.

O que fazer de diferente

Os contabilistas com quem trabalhamos que têm reconciliação limpa não fazem nada de exótico. Fazem três coisas aborrecidas de forma consistente:

Puxam o e-Fatura cedo, não tarde. Tratá-lo como ponto intermédio em vez de auditoria final muda a dinâmica — está a pedir ao cliente para confirmar cinco faturas com tempo para responder, não a perseguir dez faturas às 17h do dia 11.

Agrupam perguntas ao cliente. Uma mensagem por mês com lista estruturada, não um gotejar de "mais uma coisa". Os clientes respondem a listas. Ignoram mensagens gota-a-gota.

Documentam as decisões de ignorar. Cada linha do e-Fatura que não entrou na contabilidade tem uma nota de uma linha. Não principalmente pela AT — pelo mês seguinte, quando a mesma questão voltar.

Para as partes mecânicas — cruzar NIFs, marcar duplicados, exportar relatórios de reconciliação — a automação ajuda. Mas automação não resolve um processo que não existe. Construa primeiro o ritmo mensal, depois deixe as ferramentas tratar das partes aborrecidas.


Se está a fazer esta reconciliação para vários clientes todos os meses, o tempo acumula. Veja como o Faturiza trata do cruzamento multi-cliente do e-Fatura — feito para contabilistas em /para-contabilistas. E se quer o contexto mais amplo sobre o que a AT verifica para além do e-Fatura, o guia de sobrevivência SAF-T é uma boa leitura complementar.


Parte da nossa série de guias SAF-T e conformidade.

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O Faturiza tem um painel multi-cliente feito para contabilistas. Cada cliente tem a sua pasta, email de receção e exportação pronta para SAF-T.

M

Manuel Monteiro

Founder, Faturiza · LinkedIn

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